quinta-feira, 19 de maio de 2016

Janio de Freitas - Ignorância em ação



A extinção do Ministério da Cultura não foi ocasional. Não foi técnica. Nem é coerente apenas com o nível cultural do grupo que ocupa os postos chamados de "o governo". Há também uma coerência interna que identifica, uns com os outros, os integrantes desse grupo heterogêneo, caótico e retrógrado. Essa segunda coerência faz, inclusive, uma conexão entre a atualidade e o passado de algumas décadas.


O governo fala muito. Ainda que metade seja para desdizer o que foi dito na outra metade. Atos administrativos, para quem sabia tanto do que devia ser feito pelo governo anterior, nem um só. Há providências, porém.

Todas na mesma linha, das quais seguem-se alguns exemplos.


1) Nas duas dúzias de ministros, há um único indicado por Michel Temer. É o da Justiça, Alexandre Moraes, cuja primeira e solitária medida, divulgada logo ao assumir, é "rever todos os atos deste ano" praticados pelo antecessor, José Eduardo Cardozo.


2) No Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra comunica a providência de revisar atos e programas do governo Dilma. E uma investigação no Bolsa Família que pode resultar "no desligamento de 10% dos beneficiários", ou "mais, de 20% a 30%, se cruzados todos os dados". De que base respeitáveis vêm tais estimativas? O entra-e-sai faz do Bolsa Família uma população flutuante mês a mês. Parece claro que a intenção é cortar o gasto do Bolsa Família com uma alegação oportunista.


3) No Ministério da Educação e Cultura, Mendonça Filho manda rever todas as medidas tomadas nos últimos dias do governo Dilma por Aloizio Mercadante (Educação), Juca Ferreira (Cultura) e respectivos chefes de departamento.


4) Na Casa Civil, Eliseu Padilha comanda a revisão de todos os atos baixados por Dilma desde 1º de abril.


5) Também na Casa Civil, Padilha procede à revisão das demarcações de terras indígenas. Subprocuradora-geral da República, Deborah Duprat advertiu que a revisão pretendida viola a Constituição. Decisões passadas do Supremo Tribunal Federal foram no mesmo sentido. Mas, desejada por fazendeiros ocupantes de terras indígenas, a revisão continua.


6) Na Advocacia-Geral da União, Fábio Medina Osório chega com a determinação de "apurar" a conduta do antecessor José Eduardo Cardozo na defesa de Dilma. Parece-lhe inadmissível que Cardozo tenha se referido a "golpe", ao falar do golpe.


7) O próprio Michel Temer desconsidera a garantia legal do mandato de quatro anos do jornalista Ricardo Melo na presidência da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), empossado no início do mês. E o exonera.


As revisões citadas nestes exemplos e os demais casos, que incluem os outros ministérios, compõem um conjunto caracterizadamente persecutório e policialesco. Sua amplitude e prioridade evidenciam tratar-se, não da verificação de eventuais impropriedades, mas de arbitrariedade e prepotência como política de governo. Uma política que expressa a índole do governo e do próprio Temer, no mínimo por se sujeitar, como marionete, a corrompidos, ímprobos e fraudadores à sua volta.


É verdade que um ou outro governo tenta valorizar-se à custa de algumas reais ou alegadas acusações ao antecessor. Fernando Henrique, aliás, devia agradecer a Lula por nada ter investigado, com tantas possibilidades. Mas a busca e a perseguição como política e prática geral, vista agora, só teve um precedente no Brasil: o poder instalado pelo golpe de 1964. Não comparadas as dimensões, a sanha é a mesma. Até a covardia que leva a demitir o garçom do gabinete presidencial, José Catalão, porque considerado petista, iguala essa gente de hoje à lá de trás.


SENTENÇA


Gore Vidal, em "Washington, D.C." (há edição brasileira da Rocco), sobre o vice: "Pode-se dizer que tem todas as características de um cachorro, menos a lealdade".

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Ana Prestes lançará livro infantil sobre o Dia Internacional da Mulher

Conheci Ana quando estive em sua casa, na época em Contagem, para entrevistar sua avó, a guerreira Maria Prestes, viúva do famoso Luis Carlos Prestes. Mas fomos nos conhecer melhor ano passado, quando estive em Brasília, onde ela vive hoje com as duas filhas.

Por Cinthya Oliveira, 


Ilustração: Vanja Freitas
 
Recentemente, Ana Prestes me procurou para contar de seu projeto que está passando por um processo de financiamento coletivo no Catarse. Trata-se de um livro infantil sobre o Dia Internacional da Mulher. Não é uma ideia bacanérrima, poder empoderar meninas e instruir meninos desde a infância?

Respondi ao recado de Ana com uma simples resposta: vamos fazer uma entrevista para Um Capuccino? Assim, segue a entrevista de Ana, a cientista política que vive a luta social desde o berço e continua a transmitir esse ideal da família Prestes para as filhas, Helena e Gabriela.

Como veio a ideia de fazer um livro infantil sobre o Dia Internacional da Mulher?


A ideia surgiu de uma observação. Minha filha, Helena, estava com 7 anos e cursava o terceiro ano do ensino fundamental quando precisou realizar um trabalho escolar sobre o Dia Internacional da Mulher. Ao ajudá-la, percebi que não havia material sobre o tema que fosse de fácil entendimento para ela e as/os colegas. Todos os materiais que encontrou, impressos ou virtuais, falavam em termos que as crianças ainda têm dificuldades para compreender, por serem muito específicos das divergências políticas ou até por serem muito cruéis, assustadores.

É sórdido dizer para uma criança que cerca de 100 mulheres foram trancadas em uma fábrica e queimadas vivas. Essa historia famosa, sobre as tecelãs queimadas em Nova Iorque, além de ser assustadora para uma criança, carece de evidências para sua comprovação. Pensei em um livro que mudasse não só os termos para tratar o tema com as crianças, mas que introduzisse outras histórias, como a das mulheres russas de Petrogrado que realizaram uma greve em 8 de março de 1917, às vésperas da revolução russa de outubro, e foram fundamentais para a construção desta data histórica.



De que forma suas filhas contribuíram para o processo?


Helena, minha filha mais velha, foi meu laboratório de observação. Se aos 7 anos ela teve dificuldade para fazer o trabalho sobre o 8 de março, no ano seguinte, já no quarto ano do fundamental, ela teve mais facilidade por causa de nossas conversas, pesquisas e debates sobre a ideia do livro. Atualmente, no quinto ano, ela foi mais uma vez escolhida para falar do tema na escola e fez as professoras se emocionarem ao recitar o poema que é a base do livro Mirela e o Dia Internacional da Mulher.

Já a Gabriela, que hoje está com 6 anos, se envolveu muito com a personagem do livro. Ela ficou muito orgulhosa quando li o texto para elas pela primeira vez e vibrou quando a personagem ganhou um nome, Mirela, e mais ainda quando nossa personagem ganhou feições das mãos da ilustradora Vanja Freitas. Gabriela queria que Mirela fosse parecida com ela! Lá em casa, a Mirela virou uma filha e irmã caçula da qual todas estamos cuidando, torcendo para que ela comece a dar seus primeiros passos e possa chegar em outras casas através do livro.

Qual é a sua visão sobre o uso que fazemos sobre o Dia Internacional da Mulher?

Infelizmente, assim como outras datas, o 8 de março caiu nas teias do esvaziamento de seu conteúdo político e passou a ser tratado de uma forma mercadológica. Isso ocorre porque o comércio quer lucrar com esta data, o que é natural no sistema que vivemos, e também porque há uma forte pressão dos setores mais conservadores da sociedade para desvincular o significado da data de tudo aquilo que signifique mais liberdade, autonomia, independência, desenvolvimento e emancipação para as mulheres. Por outro lado, no Brasil dos últimos anos, com a ascensão de uma mulher à Presidência da República e o fortalecimento de movimentos sociais que tratam de temas sensíveis à condição feminina e dos direitos à igualdade, houve um fortalecimento de uma agenda feminista mais significativa e vinculada às verdadeiras aspirações da data. Pra resumir, há um verso do nosso livro que diz:

"O 8 de março nasceu
também para ser bonito
Mas não vamos deixar as flores
esconderem o conflito"

Conte-me um pouco sobre sua história como feminista e a importância de se valorizar a luta. 

Nasci em uma família com mulheres muito fortes, minha bisavó, Leocádia Prestes, liderou uma campanha internacional pela libertação de Olga Benário e Luiz Carlos Prestes em tempos de ditadura e sem internet! Olga, a primeira esposa do meu avô, foi uma jovem revolucionária comunista que morreu em um campo de concentração nazista e defendeu a justeza de sua causa até o último minuto de vida. Maria Prestes, a segunda esposa de Prestes e minha avó amada, sempre foi minha grande referência de vida. Uma mulher que enfrentou a ditadura do estado novo e a ditadura militar, ao mesmo tempo em que formava uma grande família e até hoje defende os ideais libertários aos quais aderiu ainda na adolescência. Desde muito nova, me transformei em uma questionadora da condição feminina.

Na adolescência não foram poucos os conflitos familiares e sociais nos quais me envolvi por tais questionamentos. Há 20 anos tenho uma militância política e social que não se restringe à pauta feminista, mas que a abarca e da qual ela é uma das essências. É fundamental valorizar a luta das mulheres. Sem igualdade não pode haver sociedade justa.

Como o dinheiro do financiamento coletivo será investido?


Com os recursos arrecadados pela campanha no Catarse  vamos remunerar os profissionais responsáveis pela ilustração, design final do livro, edição final, impressão e a distribuição pelo país.
 

Fonte: Blog Um Capuccino

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

2015 começa com encontro de Blogueiros de Brasília

Estive ausente do blog no ano passado inteiro, pois um ano com Copa e eleições deu um baita trabalho. Somando-se o trabalho que tive em 3 cpi's (Espionagem e as duas da Petrobras), mal tive tempo de me dedicar às redes sociais.
Mas partindo da premissa que este será um ano um pouco mais civilizado, retorno ao blog.
E para começar divido com você leitor um evento interessante que será realizado na próxima sexta-feira em Brasília.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Adeus Madiba


Esta noite nos deixou um ser humano ímpar, um exemplo de vida, um lutador sem tréguas contra as injustiças, o preconceito e o racismo. 
Madiba fará falta neste mundo cercado de vilania, onde os brancos e os ricos se acham no direito de se revoltar, onde o fim de alguns privilégios alimenta a ira e o ódio, um mundo em que as forças que o encarceraram por 27 anos choram lágrimas de crocodilo pela sua morte.

Não o conheci e nunca fui à África, mas sinto que perdi um amigo, um professor, um líder.
E me lembro do texto que o acompanhou na prisão injusta que ele enfrentou:

"De dentro da noite que me cobre,
Negra como a cova, de ponta a ponta,
Eu agradeço a quaisquer deuses que sejam,
Pela minha alma inconquistável.

Na cruel garra da situação,
Não estremeci, nem gritei em voz alta.
Sob a pancada do acaso,
Minha cabeça está ensanguentada, mas não curvada.


Além deste lugar de ira e lágrimas
Avulta-se apenas o Horror das sombras.
E apesar da ameaça dos anos,
Encontra-me, e me encontrará destemido.


Não importa quão estreito o portal,
Quão carregada de punições a lista,
Sou o mestre do meu destino.
Sou o capitão da minha alma."

Willian Ernest Henley

A espionagem, a segurança e o capitalismo


O debate acerca das denúncias de espionagem norte-americana pelo mundo afora trouxe à tona um universo distante da nossa realidade. Um debate que todos achavam restrito aos filmes e à ficção.
Entretanto a espionagem, a sabotagem e a manipulação de foros internacionais existem.
As denúncias de Edward Snowden mostram que o ímpeto americano de tentar subjugar todos os países aos seus interesses vai muito além das iniciativas e medidas diplomáticas, políticas e econômicas.
O planeta assiste desde o final da segunda guerra, o crescimento exponencial da máquina militar estadunidense, que permite a este país estar presente em praticamente todos os conflitos, direta ou indiretamente.
Mas longe da ostentação belicista fomentada pela guerra fria, cresceu também um poderio imenso nas ações de inteligência.
O conjunto de agências norte-americanas de inteligência, que incluem as famosas CIA e NSA, se transformou em um estado paralelo alimentado pelo medo e com carta branca para realizar tudo: apoio e organização de golpes de estado, assassinatos seletivos, grampos, interceptações, sequestros e toda sorte de ilegalidades contra o mundo e também contra os norte-americanos.

Mas como fica o Brasil nisso?

O golpe de 64 foi emulado, apoiado e financiado pela Hidra americana e moldou nossos serviços de segurança e inteligência à imagem e semelhança de seus interesses.
Desde a redemocratização, o Brasil vive impasses ao tentar superar o desenho de nossa inteligência, que atuava focada única e exclusivamente contra a esquerda e os movimentos sociais.

O Brasil construiu uma nova organização, com objetivos e quadros formados dentro de uma nova perspectiva. Uma perspectiva focada na defesa de nossos interesses.
Mas longe de estruturarmos de fato nossa política de inteligência, ainda lutamos contra o preconceito e contra a indisfarçável desconfiança que a sociedade tem das atividades de inteligência.
Um exemplo é o fato da Comissão do Congresso responsável pela fiscalização das ações da ABIN ter demorado mais de 14 anos para ter um regimento que regulasse suas ações.
Outro exemplo é falta de regulações sobre as ações de inteligência.
Nossa fragilidade neste campo, somada ao alinhamento automático do tucanato e assemelhados aos interesses americanos nos deixou em uma situação dificílima para enfrentar a sanha controladora dos arapongas de todos os matizes.
O desmonte de nossa estrutura de comunicação nas privatizações de FHC, que vendeu nossos satélites e interrompeu nossas pesquisas em telecomunicações, foi um verdadeiro crime cujos autores andam soltos pelo país.
Por fim, a contaminação de setores do governo pelos interesses de empresas de internet e teles, impedem até o momento que um marco civil para internet seja aprovado. Um marco que regulamente o nosso direito de usar como quisermos a estrutura da internet, resguardando nossa privacidade e o papel transformador que a comunicação pode ter.

O quadro rascunhado neste texto, é muito mais complexo e amplo. Mas mesmo organizações e academias ainda vislumbram muito mais os detalhes que o todo.
Em 2011, acompanhei uma série de debates sobre o capitalismo cognitivo e a sociedade de controle realizadas pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, e muito do que se debateu ali beirava o delírio na visão dos militantes dos partidos de esquerda. Passados mais de dois anos, o que parecia paranoico se mostrou quase ingênuo.

As manifestações quase fascistas que vemos nas redes sociais mostram-nos que mais do que perder tempo em debates infindáveis com proto-revoltados, é preciso entender o alcance e a extensão que o capitalismo alcançou.

Hoje, graças a uma conjunção entre a nossa falta de capacidade reativa institucional, falta de regulação na preservação de nossos direitos cibernéticos, contaminação de forças de esquerda pela força do capital e a hipertrofia do controle americano temos um capitalismo que administra, consome e entra nos corações e anula as mentes de milhões brasileiros.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Amazon, do outro lado do computador

Por Jean-Baptiste Mallet

Com empresários celebrizados, telas finas e cores vivas, a economia digital evoca a imaterialidade, a horizontalidade e a criatividade. Porém, uma investigação sobre a gigante do comércio eletrônico Amazon revela o outro lado da moeda: fábricas gigantes em que humanos pilotados por computadores trabalham até a exaustão.
INVESTIGAÇÃO NOS ENTREPOSTOS DO E-COMMERCE
Descolando seu olhar dos cartazes do sindicato alemão Ver.di – o sindicato unificado dos serviços – presos à parede da sala de reuniões, Irmgard Schulz se levanta de repente e toma a palavra. “No Japão”, conta, “a Amazon acaba de recrutar cabras para que elas pastem em torno de um armazém. A empresa colocou nelas um crachá igual ao que temos pendurado no pescoço! Está tudo lá: nome, foto, código de barras.” Estamos na reunião semanal de funcionários da Amazon em Bad Hersfeld (Hesse, Alemanha). Em uma imagem, a operária logística acaba de resumir a filosofia social da multinacional de vendas on-line, que propõe ao consumidor comprar com alguns cliques e receber no prazo de 48 horas um esfregão, as obras de Marcel Proust ou um arado motorizado.1
Em todo o mundo, 100 mil pessoas estão trabalhando em 89 armazéns logísticos cuja superfície somada totaliza cerca de 7 milhões de metros quadrados. Em menos de duas décadas, a Amazon projetou-se na vanguarda da economia digital, ao lado da Apple, do Google e do Facebook. Desde seu lançamento em Bolsa, em 1997, seu faturamento foi multiplicado por 420, chegando a US$ 62 bilhões em 2012. Seu fundador e CEO, Jeffrey Preston Bezos, metódico e libertário, inspira aos jornalistas retratos ainda mais lisonjeiros desde que investiu em agosto último US$ 250 milhões – 1% de sua fortuna pessoal – para comprar o diário norte-americanoThe Washington Post. O tema do sucesso econômico eclipsa com certeza o das condições de trabalho.
Na Europa, a Amazon escolheu a Alemanha como carro-chefe. Ela estabeleceu ali oito plantas logísticas e construiu uma nona. Ao volante de seu carro, Sonia Rudolf pega uma avenida chamada Amazon Strasse2 – a municipalidade financiou a chegada da multinacional num valor de mais de 7 milhões de euros. Em seguida, aponta um enorme bloco de construção cinza. Atrás de uma cerca de arame farpado, surge o armazém. “No terceiro andar da FRA-1,3 não há nenhuma janela, nenhuma abertura, nenhum ar condicionado”, testemunha a ex-funcionária. “No verão, a temperatura ultrapassa os 40 graus, e os mal-estares são muito frequentes. Um dia – vou me lembrar disso por toda a vida –, quando eu estava fazendo ‘picker’ [ato de prender as mercadorias nos alvéolos metálicos], encontrei uma moça deitada no chão e vomitando. Seu rosto estava azul. Eu realmente achei que ela fosse morrer. Como não tínhamos maca, o gerente pediu-nos que conseguíssemos um palete de madeira sobre o qual a estendemos para transportá-la até a ambulância.”
Fatos semelhantes foram relatados pela imprensa nos Estados Unidos.4 Na França, foi o frio, em 2011, que atingiu os funcionários do armazém de Montélimar (Drôme), forçados a trabalhar com parcas, luvas e bonés, até que uma dúzia deles começou uma greve e conseguiu que o aquecimento fosse ligado. Foi assim, em parte, que a Amazon catapultou seu fundador ao 19o lugar entre os bilionários do planeta.5
A especificidade do supermercado on-line consiste em permitir que os comerciantes, por meio de sua plataforma Marketplace, ofereçam produtos para venda em seu site, em concorrência direta com sua própria mercadoria. O conjunto infla as cifras do negócio e faz crescer o efeito “cauda longa” – a agregação de múltiplos pequenos volumes de encomendas de produtos pouco solicitados cujo custo de armazenamento é baixo –, na origem do sucesso da empresa. Esse sistema, eficaz para o consumidor, recruta livreiros para a promoção do gigante que vampiriza a clientela deles e destrói sua atividade.