quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Drão

Drão!
O amor da gente
É como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão
Nossa semeadura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Dura caminhada
Pela estrada escura...
Drão!
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
Estende-se infinito
Imenso monolito
Nossa arquitetura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Cama de tatame
Pela vida afora
Drão!
Os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão
drão!
drão!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Seara Vermelha


Bandido negro

Castro Alves

Corre, corre sangue do cativo
Cai, cai, orvalho de sangue
germina, cresce, colheita vingadora.
A ti, segador, a ti. Está madura.
Aguça tua foice, aguça, aguça tua foice.
E. Sue (Canto dos Filhos de Agar)

Trema a terra de susto aterrada...
Minha égua veloz, desgrenhada,
negra, escura nas lapas voou.
Trema o céu... ó ruína! ó desgraça!
Porque o negro bandido é quem passa, 
porque o negro bandido bradou:

Cai orvalho de sangue do escravo,
cai, orvalho, na face do algoz.
Cresce, cresce, seara vermelha, 
cresce, cresce, vingança feroz.


Dorme o raio na negra tormenta...
Somos negros... o raio fermenta
nesses peitos cobertos de horror.
Lança o grito da livre coorte,
lança, ó vento, pampeiro da morte,
este guante de ferro ao senhor.

Cai orvalho de sangue do escravo,
cai, orvalho, na face do algoz.
Cresce, cresce, seara vermelha, 
cresce, cresce, vingança feroz.
Eia! Ó raça que nunca te assombras!
Para o guerreiro uma tenda de sombras
arma a noite na vasta amplidão.
Sus! pulula dos quatro horizontes,
sai da vasta cratera dos montes,
donde salta o condor, o vulcão.

Cai orvalho de sangue do escravo,
cai, orvalho, na face do algoz.
Cresce, cresce, seara vermelha, 
cresce, cresce, vingança feroz.

E o senhor que na festa descanta
pare o braço que a taça alevanta,
coroada de flores azuis.
E murmure, julgando-se em sonhos:
"Que demônios são estes medonhos,
que lá passam famintos e nus"?

Cai orvalho de sangue do escravo,
cai, orvalho, na face do algoz.
Cresce, cresce, seara vermelha, 
cresce, cresce, vingança feroz.

Somos nós, meu senhor, mas não tremas,
nós quebramos as nossas algemas
para pedir-te as esposas e mães.
Este é o filho do ancião que mataste.
Este - irmão da mulher que manchaste...
Oh! não tremas, senhor, são teus cães.

Cai orvalho de sangue do escravo,
cai, orvalho, na face do algoz.
Cresce, cresce, seara vermelha, 
cresce, cresce, vingança feroz.

São teus cães, que tem frios e tem fome,
que há dez séculos a sede consome...
Quero um vasto banquete feroz...
Venha o manto que os ombros nos cubra.
Para vós fez-se a púrpura rubra.
Fez-se o manto de sangue para nós.

Cai orvalho de sangue do escravo,
cai, orvalho, na face do algoz.
Cresce, cresce, seara vermelha, 
cresce, cresce, vingança feroz.

Meus leões africanos, alerta!
Vela a noite... a campina é deserta.
Quando a lua esconder seu clarão
seja o bramo da vida arrancado
no banquete da morte lançado
junto ao corvo, seu lúgubre irmão.

Cai orvalho de sangue do escravo,
cai, orvalho, na face do algoz.
Cresce, cresce, seara vermelha, 
cresce, cresce, vingança feroz.

Trema o vale, o rochedo escarpado,
trema o céu de trovoes carregado,
ao passar da rajada de heróis,
que nas éguas fatais desgrenhadas
vão brandindo essas brancas espadas,
que se amolam nas campas de avós. 

Cai orvalho de sangue do escravo,
cai, orvalho, na face do algoz.
Cresce, cresce, seara vermelha, 
cresce, cresce, vingança feroz.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Diminuição da pobreza

O estudo divulgado nesta terça pelo IPEA traz um cenário impressionante. Afirma textualmente que mantidas as políticas socias, mantendo-se o estímulo ao mercado interno e corrigindo-se as distorções do nosso sistema tributário, o Brasil eliminará a extrema pobreza até 2016. Ou seja daqui a seis anos.
Nem os mais otimistas poderiam prever um fato desta magnitude.
Em resumo, sem tucanos ou demos, o Brasil pode avançar rapidamente para uma situação de menor desigualdade.
E isso ainda dentro dos marcos do capitalismo.
Vale a pena dar uma olhada no estudo completo. Clique aqui e leia.